≈∞≈

≈∞≈

sábado, 22 de novembro de 2014

EQUINÓCIO






Se fosse possível,
diria à você o silêncio.
Assim como Deus me fala Paz
quando estou tentando
ouvir o universo.
Isso porque o infinito é
 tão inalcançável quanto
a força do amor que sinto
quando escolho amar você.
Isso porque sei que no fundo
essa decisão não é de fato
exclusivamente minha
afinal, sou parte integrante do cosmos.
Ajo e reajo sempre, querendo ou não,
em concordância com o todo que me cerca
tudo o que sinto e percebo fazer-me ser quem sou.
O que acredito que tenho, mera fantasia de propriedade
é somente a ilusão egoísta de minha mente inventiva e capciosa
que acha que opta por me fazer o mais pleno possível
na tentativa de assim contribuir com um mundo melhor,
pois no fim um mundo melhor contribui com minha plenitude pessoal...
Afinal, criamos juntos nossa realidade cultural,
nossa perspectiva de percepção da existência
e se penso que estou fazendo mais feliz o que
considero ser o meu mundo
inevitavelmente é a mim mesmo que
quero, no fim, fazer mais e mais feliz.
A unidade e o conjunto se encerram em um mesmo paradoxo
Iludir-se com a limitação para explicar a impossibilidade
da separação que faz crer na primeira pessoa de um singular
que só se faz ímpar quando alienado e entregue
à inevitabilidade de uma integração simbiótica
que nos permite sermos vivos, seres infindos
genética da evolução que integra a linha do tempo
numa semântica única que condensa o infinito
em um postulado, um conceito prepotente
fingindo que palavras podem reunir o passado e o futuro
em uma bela embalagem sedutora que
que convencionamos, não por acaso, chamar de PRESENTE




sábado, 18 de outubro de 2014

O QUE SE LEVA DA VIDA É A VIDA QUE SE LEVA




Não me interesso muito por história porque tenho um interesse inabalável no Agora, no Hoje. Mas para conhecer este hoje não seria imprescindível como o ontem tornou-se o agora? Imprescindível? Não! O que foi, o que será e o que é estão em intrínseca e constante transformação.
O passado não é imutável. Não, esta frase não é tão absurda quanto parece se você refletir um pouquinho. Pense o seguinte, o passado só existe através de uma percepção presente que você tem do mesmo. Sendo assim você pode mudar o seu passado a todo instante. Ele é tão mutável quanto o presente, tão volúvel quanto o futuro. Uma vez que agora você é capaz de mudar a sua percepção do passado, ou as convicções sobre fatos no passado, você muda-o inteiramente, dentro de você. Pense bem, o passado não existe se não em sua forma de pensá-lo agora, fora isso ele sequer pode existir. Mudando o COMO você pensa sobre o passado, você altera-o completamente. Tudo que resta do passado hoje só existe sob a forma das emoções que este passado faz em ti manifestar. Se mudas estas emoções, o passado não é mais o mesmo, já que este, na prática, sequer existe. Não existe passado, apenas o reflexo emotivo dos acontecimentos que memorizamos. Vale focar o COMO se pensa este passado, ao invés do QUE propriamente. Os fatos não mudam, mas os acontecimentos... nós os criamos e recriamos a todo instante em que os revivemos e os sentimos, fazendo-os vivos. E o sentir é único a cada fagulha do tempo, cada momento, cada hora, todo agora.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

NÓS ABRAÇADOS



Eu chuva, e você vento
Quando praia, eu onda, você areia
Quando cachoeira, eu queda e você pedra
E quando montanha, você todo nuvem e eu tudo verde
Em paisagem eu horizonte e você detalhe
Em poesia eu metáfora e você forma
E sempre que oceano, eu profundeza, você correnteza...
Há quando em céu eu infinito e você estrela
E em deserto você febre e eu solidão
Em estrada eu agora e você destino
E quando abismo você distância e eu saudade
Quando ladeira eu escada e você curva
Mas quando multidão você paciência e eu perdição
Na lucidez você solução e eu depressão
E em tempestade eu fúria e vc oração
Na loucura eu isolamento,  você entrega
Na cama você gozo e eu emoção
No silêncio você zumbido e eu atenção
No desafio você medo e eu ação
No barulho você silêncio e eu surdez
No ócio eu infância e você coração
Em frio você concha e eu coberta
Em febre eu carência e você ebulição
Em síntese eu mudo e voce muda
Em terra você planta, eu germinação
Em guerra você espanta e eu correção
Em lua eu crescente e você explosão
Em fogo você luz e eu lenha
Em luz você fogo e eu doação
Em música você dança,  eu composição
Em luta você cansa, eu irritação
E quando paz você passeio, eu lar
Quando gruta, você tédio,  eu eco
Em arquitetura eu teto, você decoração
Em figura eu pixel e você tinta
E em cinema você personagem, eu edição
Em teatro você palco, e eu aplauso
Em textura você áspero,  eu reflexo
Em beijo você prático,  eu sexo
Em ponte, eu passagem, você parte
Quando dia eu paisagem, você arte
E quando noite, você breu, eu prazer
Mas sempre quando Amor, 

você eu... E eu você.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

CORTESIA















ilustração de Marina Papi

"O coração injeta sonhos na imaginação
tais imagens em ação criam orgasmos 
em tempestades mentais de fantasia
e a mente, tanto inventa na astúcia do desejo
que cria, e se apropria
abre infinitos caminhos no universo das possibilidades,
encontra atalhos velozes onde aparentava só distância,
dá ritmo, vida, movimento, dança, 
uma festa em sorriso de criança
e faz presente uma sintonia onipresente
precisamente como o coração gostaria
para que em cada instância
se revele assim com alegria
uma realidade de abundância...
Onde o Amor é puro, é cortesia."

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Plural Corruptível



Desconstruindo fatos
em objetividade de produção
notícias são inventadas 
na escadaria hegemônica de vendas
mentira pode virar dinheiro
verdade maquiada dá mais lucro
capciosas manchetes-devaneio
cultivando histeria como fruto
e o inteligente mascarado
na real? É um caloteiro
de si mesmo, foge a esmo
caminha inversamente
num virtual torneio
dentro de seu próprio labirinto
consciente ou não, mente
não entende do que está faminto
hierarquiza o conhecimento
subtrai culturas violentamente
recria miséria, violência e lamento
reforça irrelevâncias, covardemente
confunde, manipula, sensacionaliza
apenas repercutir é o que visa
divulgando, impondo-se
à base da força do ilusionismo
design perverso que é mecanismo
numa exploração da ignorância alheia
introjetando palpites numa grande teia
com subliminares normas e convites
os povos, calam, e se dissolvem, tristes
esmagados por tropas de cruéis elites
plásticamente sangra uma bela orquídea
neste mosaico de eras e indefinições
neste infinito pluralismo da Idade Mídia


imagens: Kumi Yamashita

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Água



















Eu tenho esse meu jeito meio silencioso de amar as pessoas
Pessoas que amo diariamente
Pessoas que acabei de descobrir que amo
Amo em silêncio

Na mais completa discrição
Descaradamente meu coração
Transborda sem julgar ...
Se dissolve no ar só de ver
Só de ser esse apreço
Esse vibrante pulsar
Em que estremeço
Ao me fragmentar
Nesse improvável condensar
De emoção

Uirá Felipe

sábado, 1 de fevereiro de 2014

~~VIDA CORRENTE~~


Tem hora, que o grito angustiante da cidade grande é tão, tão forte, e tão agudo, que sinto como se estivesse enlouquecendo com ela, e eu realmente enlouqueço, diariamente...
E são sempre pequenas coisas que me trazem de volta para o meu eu-verdadeiro, meu eu-simples.
Tem hora que é preciso ficar só e em silêncio para ouvir as intimidades da alma.
E não é isolamento, apenas, não, não é nada disso e aliás muito pelo contrário, é conexão!
Mais que simples fugere urbens, mergulhos na cachoeira, andanças pela mata, pores-do-sol do topo de montanhas, nada disso tem sentido sem os pequenos silêncios internos no decorrer desses rituais de fuga urbanos.
Cresci devoto destes rituais de contato íntimo com a natureza. Cercado sempre de barulheiras familiares logo encontrei no que me cabia de liberdade os espacinhos pra poder ser esse Eu-Simples, esse Eu-Maior, esse eu-em-conexão...
E rio sosinho de alegria no coração. Epifanias que fazem brilhar os olhos. O som das águas da cachoeira me falando segredos sobre o meu íntimo particular. E me vejo quase idêntico a esse rio. Esse eterno esvaziar-se e encher-se num constante movimento de transformação.
Percebo que de todo o mundo ao meu redor e toda essa grandeza enraizada em meus pés, o que eu mais preciso para ser feliz é simplesmente só isso: Eu mesmo.

[ Uirá Felipe Grano Gaspar ]